Abordagens Sustentáveis para Produção de Enxertos Ósseos com Hidroxiapatita: Da Origem Natural à Aplicação Clínica

Doutora em Ciência e Engenharia de Materiais pela Universidade Federal de Santa Catarina com período de estágio no exterior realizado no Instituto de Cerámica y Vidrio (Madri - Espanha)(2016). Mestre em Ciência e Engenharia de Materiais pela Universidade Federal de Santa Catarina (2013). Graduação em Tecnologia em Cerâmica pela Universidade do Extremo Sul Catarinense (2010). Estágio pós-doutoral em Engenharia de Minas, Metalúrgica e Materiais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS, 2016-2019). Atualmente é docente permanente do Programa de Pós Graduação da Ciência e Engenharia de Materiais (PPGCEM) e docente dos cursos de Engenharias, Farmácia e Biomedicina na Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC). Desenvolve pesquisas voltadas para biomateriais, materiais vítreos e vitrocerâmicos, processamento coloidal e síntese de nanoestruturas para diferentes aplicações. Lidera o grupo de pesquisa em biomateriais e materiais nanoestruturados. É pesquisadora nível 1D do CNPq. É editora executiva de área (Materiais) do periódico Tecnologia em Metalurgia, Materiais, e Mineração e editora associada da revista Cerâmica Industrial. É membro e diretora de assuntos especiais (2025-2026) da Associação Brasileira de Cerâmica, e mentora da rede Jovens Ceramistas do Brasil (JCB). Foi co-chair do 67o Congresso Brasileiro de Cerâmica. 1 lugar no 1o e no 2o prêmio mulheres na ciência UNESC na categoria plena na área de Engenharias (2023 e 2025). Homenageada com o prêmio mulheres da Ciência pela Assembleia Legislativa do estado de Santa Catarina.
Dra. Sabrina Arcaro
Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC / SC)
Resumo
A busca por alternativas eficientes e sustentáveis para a regeneração óssea tem incentivado o desenvolvimento de biomateriais avançados que combinem biocompatibilidade, bioatividade e responsabilidade ambiental. Dentre esses, a hidroxiapatita (HA) destaca-se por sua composição química análoga à do tecido ósseo mineralizado, sendo amplamente empregada na engenharia tecidual. Esta palestra apresenta diferentes estratégias para a obtenção de HA a partir de resíduos biológicos – como espinhas de tilápia, conchas e mariscos – bem como por rotas sintéticas, com o objetivo de produzir enxertos ósseos com aplicações específicas. Os pós de HA foram processados por duas metodologias principais: (i) conformação por técnica de réplica, resultando em scaffolds com macroestrutura porosa indicados para reparo de defeitos ósseos extensos; e (ii) gelificação iônica com alginato e cloreto de cálcio, gerando microesferas (beads) por gotejamento controlado, voltadas à aplicação injetável. Após tratamento térmico, os materiais foram caracterizados e avaliados in vitro quanto à viabilidade celular e à atividade osteogênica. Além disso, parte dos enxertos foi submetida a testes clínicos preliminares, cujos resultados indicam desempenho promissor na regeneração óssea. A palestra discutirá os avanços alcançados, os desafios da translação clínica e o potencial das rotas sustentáveis como estratégia para agregar valor à resíduos biológicos, contribuindo para uma medicina regenerativa mais acessível e ambientalmente consciente.