Microesferas Refletivas de Vidro

Microesferas Refletivas de Vidro

Que o vidro é um material extremamente versátil, todos já sabem. Que ele se presta para produzir janelas, embalagens, lâmpadas, lentes, fibras de reforço entre outros produtos também, porém há uma aplicação do vidro presente no nosso dia a dia que provavelmente poucos conhecem: são as microesferas refletivas.

Quando estamos andando de carro à noite e o farol ilumina uma destas placas de rua, com indicações de caminhos ou sinais de trânsito com indicação de velocidade máxima ou de roteiro, parece que estas placas se iluminam e se tornam muito visíveis.

O mesmo acontece com as faixas brancas pintadas no chão para dividir as pistas, para a travessia de pedestres e outras indicações.

Este efeito de “se iluminar”, que na verdade é causado pela reflexão das luzes dos nossos próprios faróis, é criado por microesferas de vidro que se encontram incorporadas tanto nas tintas das placas como nas das sinalizações horizontais (aplicadas no piso).

Estas microesferas, que são pequenas bolinhas de vidros, podendo medir desde alguns mícrons (um mícron é a milésima parte de um milímetro) até décimos de milímetros, funcionam como refletores de luz. Elas são misturadas à tinta das placas e das sinalizações horizontais ou pinturas no piso das estradas.

Sempre que a luz passa de um meio transparente para outro, por exemplo, do ar para o vidro ou vice versa, parte da luz se reflete, como em um espelho e o resto atravessa para o próximo meio sofrendo um desvio que é chamado de “refração”.

O tamanho desse desvio e a quantidade refletida dependem da diferença de índice de refração dos dois meios. Este índice indica a dificuldade da luz em atravessar o meio. Quanto maior mais difícil é. No caso de um vidro sodo-cálcico que é o que se emprega em garrafas e vidraças, o índice é aproximadamente 1,5 enquanto do ar 1,0. Devido a essa diferença toda vez que a luz passa do ar para o vidro ou do vidro para o ar cerca de 4% da luz é refletida.

Por sua forma esférica as partículas de vidro refletem parte da luz sempre na direção de sua origem. Portanto quando o farol do carro em que estamos atinge as placas que a possuem, as mesmas ganham esse efeito de luminosidade mas só para quem está dentro do carro ou próximo dele.

Pode parecer pouco a quantidade que retorna, mas quando o farol do carro atinge essas microesferas no escuro a luz refletida é suficiente para visualizar a perfeita visualização da placa que a contem, sobressaindo de outros materiais que refletem muito menos a luz.

No caso das sinalizações de piso, mesmo com o desgaste das camadas superficiais pelo atrito dos pneus as microesferas continuam a atuar pois elas estão incorporadas em toda a massa de tinta e com o desgaste novas aparecem e começam a atuar.

O mesmo princípio é empregado na produção de roupas e capacetes de ciclistas e motociclistas, uniformes de funcionários de manutenção de estradas, tênis, etc.

Esta aplicação do vidro, embora pouco divulgada, é de extrema importância pelo aspecto de segurança do trânsito pois mesmo sem o emprego de iluminação artificial, que exige investimentos de instalação e manutenção alem do consumo de energia, consegue dar boas condições de tráfego noturno.

A figura a seguir mostra um esquema da luz dos faróis incidindo em uma microesfera e um exemplo de uma placa pintada com tinta contendo microesferas refletivas.

Mauro Akerman
Maio 2017

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